O quentão, uma bebida quente e acolhedora, é uma das estrelas das festas de inverno no Sul do Brasil. Tradicionalmente consumido nas festas juninas e nas celebrações típicas da região, como as tradicionais “festa junina” e “festa de São João”, o quentão sulista se destaca por suas especialidades. Enquanto no Sul, essa bebida é geralmente feita à base de vinho ou cachaça com especiarias como cravo, canela e mais, outras versões, como o quentão nordestino, são predominantemente à base de cachaça, o que confere um sabor mais forte e único. O quentão é muito mais do que uma simples bebida quente; ele carrega consigo um rico significado cultural, refletindo a identidade e a história das festas de inverno da região Sul.
Este artigo tem como objetivo explorar as raízes históricas e culturais do quentão sulista, destacando as diferenças entre ele e as versões nordestinas da bebida. Além disso, buscamos compreender a evolução dessa bebida ao longo do tempo, desde suas origens até a popularização nas festividades e no cotidiano da região. Ao longo deste artigo, investigaremos como a bebida foi moldada pelos aspectos históricos, sociais e culturais, e como ela se mantém relevante até hoje.
Nas celebrações típicas do Sul, o quentão ocupa um papel central, sendo uma das bebidas mais esperadas durante os meses mais frios do ano. Sua presença é constante nas festividades de inverno, trazendo não apenas calor físico, mas também calor humano, sendo compartilhada entre amigos e familiares ao redor das fogueiras. Ele está intimamente ligado às tradições da região, sendo um símbolo das festas juninas e das celebrações locais, como o tradicional “fandango” e a “festa do peão”. O quentão vai além de uma simples bebida: ele é um elo entre as gerações, preservando uma tradição que atravessa o tempo e conecta as comunidades sulistas à sua rica herança cultural.
O Quentão no Contexto Cultural do Sul do Brasil
Definição do quentão sulista
O quentão sulista é uma bebida quente que carrega a essência das tradições da região. Tradicionalmente, ele é preparado com uma base de cachaça ou vinho tinto, que é combinado com uma mistura de especiarias como cravo, canela, simultaneamente e açúcar mascavo. Esses ingredientes conferem ao quentão um sabor marcante, que equilibra o doce e o picante de forma única. Em algumas variações, pode-se adicionar frutas como maçã e laranja para enriquecer ainda mais o aroma e sabor da bebida. O preparo do quentão é simples, mas exige cuidado e atenção, pois o equilíbrio das especiarias e o tempo de infusão são fundamentais para atingir o sabor perfeito. Essa bebida não só aquece o corpo, mas também os corações, trazendo à tona o espírito acolhedor e festivo do Sul.
O papel do quentão nas festas de inverno
O quentão é uma presença constante nas festas de inverno do Sul, especialmente nas festas tradicionais de São João, Festa do Pinhão e em várias outras celebrações típicas da região. Durante as festividades de São João, por exemplo, o quentão se torna uma bebida indispensável, acompanhando pratos típicos como a pipoca, o bolo de milho e a canjica. Além disso, em eventos como a Festa do Pinhão, no estado de Santa Catarina, o quentão marca a celebração da cultura regional e o reencontro das famílias e amigos em torno da fogueira. Em todas essas festas, o quentão é mais do que uma bebida, é um verdadeiro protagonista que representa a essência do inverno e das tradições locais.
O quentão como bebida de confraternização
Mais do que uma simples bebida quente, o quentão é um símbolo de hospitalidade e união nas festas comunitárias e familiares do Sul. Nas celebrações, ele é muitas vezes compartilhado entre os convidados, criando momentos de convivência e fortalecendo os laços entre as pessoas. Uma bebida quente e reconfortante se torna o centro de muitas conversas ao redor das fogueiras, trazendo um toque de calor humano nos dias frios. Em muitos casos, o quentão representa um momento de confraternização, onde as pessoas deixam de lado as diferenças para celebrar a vida, a amizade e a cultura local. Ao ser servido em grandes panelas ou jarros, ele se torna um elo de união, refletindo o espírito acolhedor e generoso que definem como festas do Sul do Brasil.
O Quentão Nordestino: Diferenças Essenciais
O quentão nordestino e suas características
O quentão nordestino compartilha a mesma essência da bebida quente, mas com características que o distinguem claramente do quentão sulista. Na versão nordestina, a cachaça é o ingrediente principal, misturada com açúcar, cravo e, às vezes, mais canela, mas sempre com um toque de doçura mais acentuado. O preparo do quentão nordestino é mais simples e direto, com menos ênfase em frutas ou modificados complexos de especiarias, mas a bebida ainda preserva o sabor quente e acolhedor, ideal para aquecer as noites de junho e julho. Sua preparação costuma ser menos elaborada que a do Sul, mas não menos chinesa, refletindo a praticidade e o ritmo da vida nordestina.
Comparação das receitas
A principal diferença entre o quentão sulista e o nordestino está nos ingredientes e no método de preparação. O quentão do Sul, geralmente feito com vinho tinto ou uma base mais forte de cachaça, tem uma combinação de especiarias mais robusta, com cravo, canela, simultaneamente e até mesmo frutas como maçã e laranja. Ele tende a ter um sabor mais complexo e equilibrado entre o doce e o picante. Já o quentão nordestino é mais simples e doce, utilizando apenas cachaça, açúcar e cravo. Em termos de sabor, o quentão do Nordeste é mais suave e, em muitos casos, mais doce, refletindo a influência do clima quente e da cultura local, que prefere sabores mais adocicados. A diferença no preparo e nos ingredientes torna o quentão de cada região uma experiência única e distinta.
A popularidade e o consumo em diferentes regiões
O quentão nordestino é especialmente popular nas festas de São João e em outros eventos típicos da região, como as festas de rua e as quadrilhas juninas. Embora o clima nordestino seja mais quente do que o do Sul, a bebida mantém seu lugar de destaque nas celebrações, opcionalmente como uma opção aconchegante para as noites mais frescas de junho. O consumo do quentão no Nordeste tem uma pegada mais doce e elegante, refletindo o estilo de vida local, onde o calor humano e os núcleos vibrantes das festas se misturam à doçura da bebida. Enquanto o quentão do Sul é associado a grandes festas comunitárias e fogueiras, o quentão nordestino é mais intimista, sendo apreciado em grupos menores ou em celebrações ao ar livre. Sua popularidade no Nordeste está ligada não apenas ao sabor, mas à sua capacidade de transmitir a alegria e a leveza das festas típicas da região.
A História do Quentão Sulista
Origens do quentão no Sul do Brasil
O quentão tem suas origens enraizadas nas tradições das festas típicas do Sul do Brasil, especialmente nas celebrações de São João e nas festividades de inverno que marcam a chegada do frio. Inicialmente, a bebida era feita com vinho ou cachaça e especiarias simples, sendo oferecida como uma forma de aquecer os participantes durante as festas ao redor das fogueiras. Embora a origem exata do quentão seja difícil de traçar, sabe-se que ele foi influenciado tanto pelas tradições indígenas quanto pelos imigrantes europeus, especialmente os italianos e alemães, que trouxeram consigo o hábito de preparar bebidas quentes para combater o frio. Ao longo do tempo, o quentão foi sendo adaptado à cultura local, passando a ser um elemento essencial das festas típicas da região, celebrando não apenas as colheitas, mas também a união das comunidades.
A evolução da bebida
Com o passar dos anos, a receita do quentão sulista passou por um processo de aperfeiçoamento e adaptação. As trocas culturais e a influência dos imigrantes europeus, em particular os alemães e italianos, foram desenvolvidas para o desenvolvimento de uma versão mais refinada e complexa da bebida. O uso de especiarias como canela, cravo e mais, e a introdução do açúcar mascavo, ajudaram a transformar o quentão em uma bebida ainda mais hospitaleira e acolhedora. Além disso, a popularização da cachaça, que se tornou o ingrediente predominante, deu à bebida um caráter mais robusto e marcante. Hoje, o quentão é considerado uma verdadeira tradição regional, com diversas variações dependendo do estado ou da festa, mas sempre mantendo a essência de ser uma bebida festiva, quente e que simboliza a hospitalidade sulista.
Como o quentão é visto em diferentes gerações
O quentão não é apenas uma bebida, mas uma verdadeira tradição familiar que passa de geração em geração. Para muitas famílias do Sul, preparar e servir o quentão é um ritual durante as festas de inverno, especialmente nas festas juninas. As receitas de quentão muitas vezes são passadas entre avós, pais e filhos, cada geração trazendo sua própria interpretação e toque pessoal à receita tradicional. Ao redor da fogueira ou das mesas de festas, o quentão se torna mais do que uma bebida quente: ele é um símbolo de união familiar e de continuidade cultural. As novas gerações mantêm uma tradição viva, não apenas apreciando o sabor da bebida, mas também entendendo o valor simbólico que ela carrega, conectando o presente com o passado de suas raízes culturais.
Como Fazer o Quentão Sulista
A receita tradicional do quentão
Preparar o quentão sulista é uma verdadeira arte que combina simplicidade e sabor. Uma receita tradicional é fácil de seguir, mas exige atenção aos detalhes para garantir que o equilíbrio de sabores seja perfeito. Aqui está o passo a passo para preparar o quentão no estilo sulista:
Ingredientes:
1 garrafa de cachaça (aproximadamente 700 ml)
2 xícaras de açúcar mascavo
1 colher de sopa de cravo-da-índia
1 colher de sopa de canela em pau
1 pedaço de gengibre fresco (cerca de 5 cm), fatiado
1 maçã verde, cortada em fatias finas
1 laranja cortada em rodelas
1 litro de água
Modo de preparo: 1
Em uma panela grande, adicione o açúcar mascavo e a água. Misture bem e leve ao fogo médio até que o açúcar se dissolva completamente.
Adicione o cravo, a canela, o gengibre e as frutas (maçã e laranja) à mistura. Cozinhe por cerca de 10 minutos, interferências ocasionais.
Após esse tempo, adicione a cachaça e deixe ferver por mais 5 minutos. O álcool vai evaporar, mas o sabor da cachaça ficará presente, dando à bebida seu toque característico.
Prove o quentão e, se necessário, ajuste o doce com mais açúcar mascavo ou o sabor com mais especiarias, conforme sua preferência.
Sirva quente, decorada com mais fatias de frutas ou canela em pau, se desejar.
Variações na receita
Embora a receita tradicional seja deliciosa, o quentão pode ser adaptado para diferentes gostos e preferências. Algumas variações incluem o uso de vinho tinto em vez de cachaça, o que dá uma suavizada no sabor alcoólico e confere uma leveza à bebida. Outra opção é adicionar outras especiarias, como cravo em pó ou até mesmo um toque de noz-moscada, para dar um sabor ainda mais aromático. Para quem prefere uma bebida mais doce, é possível aumentar a quantidade de açúcar mascavo ou adicionar mel, que traz um sabor mais suave e natural. Além disso, para quem busca algo diferente, pode-se adicionar uma pitada de pimenta-do-reino ou um pouco de licor de frutas para um toque especial.
Dicas para servir o quentão
O quentão sulista é uma bebida feita para ser compartilhada, e o modo como ele é servido pode fazer toda a diferença nas festas de inverno. Aqui estão algumas dicas para tornar a experiência ainda mais aconchegante e tradicional:
Utensílios tradicionais: A melhor maneira de servir o quentão é em canecas ou copos de barro, que mantêm a bebida aquecida por mais tempo e acrescentam um toque rústico à decoração da festa. Se não tiver canecas de barro, canecas de cerâmica também são uma excelente opção.
Decoração: Ao servir, adicione uma rodela de laranja ou uma canela em pau como opções. Isso não só melhorou a apresentação, mas também realça os aromas da bebida.
Ambiente acolhedor: Sirva o quentão ao redor da fogueira, em um ambiente ao ar livre, ou dentro de casa, em uma festa de inverno, para criar uma atmosfera acolhedora e quente. O quentão é perfeito para ser compartilhado com amigos e familiares em um momento de confraternização.
Acompanhamentos: Ofereça petiscos típicos de festas de inverno, como bolos de milho, pipoca ou até mesmo um prato de canjica, para complementar a experiência do quentão.
Com essas dicas, você garantirá que o quentão seja a estrela de suas celebrações de inverno, trazendo calor e sabor a todos os presentes.
O Quentão e as Festas Típicas do Sul
A presença do quentão nas festas de inverno
O quentão é uma das bebidas mais tradicionais nas festas de inverno do Sul do Brasil, marcando presença em diversas celebrações típicas da região. Entre as mais famosas, destaca-se a Festa do Pinhão , em Santa Catarina, que reúne milhares de pessoas anualmente para celebrar a cultura local com gastronomia, música e danças típicas. Durante o evento, o quentão se torna um dos principais atrativos, aquecendo os visitantes e proporcionando uma experiência sensorial única.
Outro momento emblemático em que o quentão é indispensável é durante as Festas Juninas celebram o Dia de São João, como as realizadas em cidades como São João Nepomuceno e outras em Santa Catarina. Essas festas, que celebram o Dia de São João e as tradições rurais, são perfeitas para o consumo da bebida, já que o clima frio combina com o sabor quente e reconfortante do quentão. Ao lado de pratos típicos como o pinhão assado, o quentão contribui para a atmosfera acolhedora e festiva desses eventos, sendo uma bebida central em torno das fogueiras e das quadrilhas.
O quentão nas celebrações familiares
O quentão não é apenas uma bebida de festas públicas; ele também ocupa um papel central nas celebrações familiares durante os meses de inverno no Sul do Brasil. Nas reuniões familiares, especialmente nas festividades de São João, o quentão é servido como uma forma de reunir os entes queridos ao redor da mesa, criando um ambiente acolhedor e caloroso. Ele simboliza o aconchego da casa e o prazer de compartilhar bons momentos com a família e amigos. Durante o inverno, em que as temperaturas baixas convidam ao recolhimento, o quentão tem o poder de aquecer o corpo e a alma, reforçando o vínculo familiar e a tradição de passar o tempo juntos em um clima de descontração e alegria.
O quentão como parte da identidade cultural do Sul
O quentão se tornou muito mais do que uma simples bebida quente: ele é um verdadeiro ícone da cultura sulista. Ao longo dos anos, a bebida passou a ser símbolo das tradições da região, sendo apreciada em todos os estados do Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — e representando a hospitalidade e o espírito acolhedor das pessoas. O quentão é um marco cultural nas festas populares, nas celebrações familiares e até mesmo nas pequenas reuniões comunitárias que acontecem no inverno. Ele faz parte do imaginário coletivo da região, evocando memórias de celebrações passadas e preservando as tradições que tornam o Sul do Brasil tão único. Ao ser servido nas festas de inverno e nas reuniões familiares, o quentão reafirma seu papel como um elemento essencial da identidade cultural do Sul, mantendo viva a herança dos imigrantes, das festividades rurais e dos laços comunitários.
A História do Quentão e o Contexto Histórico
A origem das festas típicas
As festas típicas, como as de São João, desempenham um papel fundamental na história do quentão, especialmente nas regiões do Sul do Brasil. Essas festas têm suas raízes nas tradições religiosas e culturais, celebrando a colheita, a chegada do inverno e as festividades de São João e São Pedro. Durante essas celebrações, o quentão se tornou uma bebida tradicional, associada ao calor e à união das famílias e comunidades. As festividades religiosas e populares realizaram o ambiente ideal para o surgimento do quentão, que além de aquecer os corpos nas noites mais frias, simbolizava a fartura e o acolhimento típico dessas festas. Essas comemorações eram marcadas por danças, comidas típicas e, claro, o quentão, que gradualmente se consolidava como uma bebida que definia a temporada de inverno no Sul.
O quentão e as tradições do campo
O quentão tem uma forte ligação com as tradições rurais e as celebrações de campo. Nas pequenas vilas e fazendas, especialmente durante os meses mais frios do ano, as famílias se reúnem para celebrar a colheita e outras festividades locais. Nessas celebrações, o quentão tinha um papel central, sendo preparado com ingredientes simples, mas com muito carinho. Uma bebida servia para aquecer os corpos das pessoas que passavam horas ao redor das fogueiras, dançando e cantando. O quentão, assim como as festas de São João, era uma forma de trazer alegria e calor ao campo, onde as condições de vida eram mais austeras e as comemorações representavam momentos de descontração e união. Ele também fazia parte de uma tradição que unia as comunidades, reforçando os laços entre as famílias e celebrando a simplicidade da vida no campo.
A influência das imigrações
A formação da cultura do Sul do Brasil foi fortemente influenciada pelas imigrações europeias, especialmente pelas culturas italiana e alemã, que chegaram em grande número entre os séculos XIX e XX. Essas influências europeias foram determinantes na formação do quentão sulista, contribuindo com ingredientes e métodos de preparo que moldaram a versão local da bebida. Os imigrantes italianos e alemães trouxeram consigo o hábito de preparar bebidas quentes para enfrentar o inverno rigoroso das montanhas, e isso se refletiu no desenvolvimento do quentão, que passou a incorporar especiarias como cravo, canela, e o uso do vinho ou cachaça. O quentão, assim como outras práticas culturais, adapta-se às condições locais, ganhando um sabor único que mistura a tradição europeia com o clima e os ingredientes do Sul do Brasil. As receitas foram sendo aprimoradas e se misturaram com as práticas dos imigrantes, criando uma bebida que é, até hoje, um símbolo das festas e tradições do Sul.
O Quentão no Mercado e na Gastronomia Contemporânea
A popularização do quentão além das festas tradicionais
Com o passar dos anos, o quentão deixou de ser uma bebida restrita às festas típicas e ganhou popularidade no mercado comercial. A tradicional bebida quente, feita nas casas durante as festas de inverno, passou a ser produzida em versões prontas para consumo, disponíveis em supermercados e lojas especializadas. Marcas locais e grandes adaptaram a receita original, criando versões de quentão engarrafadas, prontas para serem aquecidas e consumidas sem a necessidade de preparo. Essas versões comerciais, embora simplificadas, mantêm o sabor acolhedor e específico do quentão, mas muitas vezes são enriquecidas com diferentes tipos de especiarias ou com o uso de vinhos para diversificar o paladar. A expansão para o mercado tem permitido que o quentão seja consumido fora do contexto das festas tradicionais, podendo ser apreciado de forma prática e acessível em qualquer época do ano.
Uma bebida no contexto gastronômico moderno
O período não ficou restrito às bebidas típicas de festas, mas também se inseriu no contexto da gastronomia contemporânea. Chefs e restaurantes especializados em pratos de inverno começaram a incorporar o quentão no cardápio, oferecendo versões gourmet da bebida. Em muitos estabelecimentos de culinária regional, o quentão foi adaptado para harmonizar com pratos sofisticados, como queijos, fondues e carnes assadas, ampliando seu alcance para o público que busca experiências culinárias raras. Alguns restaurantes, por exemplo, servem o quentão como acompanhamento para sobremesas típicas ou o reinventam com ingredientes inusitados, como frutas vermelhas ou até infusões de ervas aromáticas, criando uma nova camada de sabor para os apreciadores da gastronomia. A bebida se tornou não apenas um elemento cultural, mas também um atrativo gastronômico, sendo exaltada em menus de inverno e eventos especiais.
O quentão como um atrativo turístico
O quentão também se consolidou como um atrativo turístico, especialmente nas festividades de inverno que atraem turistas para o Sul do Brasil. Durante a temporada de frio, cidades como Gramado, Canela, e outras localidades no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, organizam eventos que celebram as tradições regionais, incluindo o quentão. Nas festas de inverno e mercados de natal, o quentão se torna uma das principais atrações, sendo oferecido aos turistas como uma bebida para aquecer o corpo enquanto exploram as ruas cobertas de neblina e o charme da região. Os turistas que visitam as cidades do Sul, especialmente durante a Festa do Pinhão e as celebrações de Natal, podem experimentar a verdadeira bebida sulista, muitas vezes preparada de forma artesanal e servida em barracas ou quiosques decorados com motivos regionais. O quentão, nesse contexto, se tornou um símbolo da hospitalidade e da rica cultura do Sul, sendo uma experiência de sabor que remete às tradições locais e reforça o apelo turístico da região durante os meses mais frios.
A Relevância Cultural do Quentão
O quentão como símbolo de resistência cultural
O quentão é mais do que uma bebida típica; ele representa uma verdadeira resistência cultural que sobreviveu ao longo dos anos, mesmo diante das transformações sociais e das mudanças no estilo de vida das novas gerações. Desde suas origens nas celebrações rurais e nas festas de inverno, o quentão continuou a ser um símbolo da cultura sulista, preservando suas raízes e se adaptando ao longo do tempo. Sua presença constante nas festas típicas e nas reuniões familiares reflete a resistência das tradições locais frente à modernização e à globalização. A bebida se manteve como uma marca registrada do Sul do Brasil, reforçando os laços culturais e comunitários, e como um elo entre o passado e o presente, mostrando que, apesar das mudanças, as tradições ainda têm seu espaço no cotidiano.
O impacto nas gerações mais jovens
Embora as novas gerações contenham mais conectadas à modernidade e à globalização, a tradição do quentão ainda se mantém viva, sendo passada de geração em geração. Para muitos jovens sulistas, preparar o quentão durante as festas de inverno é um rito de passagem, uma maneira de se conectar com suas raízes e com a história de sua família. Mesmo com as variações contemporâneas da bebida, como o uso de ingredientes mais modernos ou versões prontas, o quentão ainda carrega o valor de uma tradição familiar, e as novas gerações têm buscado manter essa cultura viva. Hoje, muitos jovens adaptam uma receita original, criando novas versões do quentão, mas sempre respeitando a essência da bebida. Essa transição mostra como a tradição pode ser flexível e se adaptar, sem perder seu caráter cultural, e como o quentão continua a ser um elo importante entre os diferentes tempos e valores das famílias sulistas.
O quentão como expressão de hospitalidade
Uma das características mais marcantes do quentão é a sua forte ligação com a hospitalidade. Em uma região conhecida pela sua generosidade e acolhimento, o quentão é mais do que apenas uma bebida quente ele é um símbolo de calor humano e boas-vindas. Servir o quentão em uma reunião familiar ou em uma festa tradicional é uma forma de demonstrar carinho, acolher e compartilhar momentos de alegria. A bebida se tornou uma forma de expressão o que é mais fundamental para as comunidades do Sul: a união e a hospitalidade. Ela representa a maneira como as famílias se recebem, como os vizinhos se conectam e como os amigos se reúnem para celebrar a vida. Em tempos de frio e desafios, o quentão é a materialização desse calor humano, sendo, portanto, um símbolo de acolhimento que ultrapassa fronteiras e gerações.
Conclusão
Ao longo deste artigo, exploramos as diferenças entre o quentão do Sul e o quentão do Nordeste, duas versões de uma bebida que, embora compartilhem alguns ingredientes comuns, possuem histórias e características distintas. O quentão do Sul, com seu uso de especiarias como canela, cravo e açúcar mascavo, aliado à presença marcante da cachaça, se caracteriza por um sabor robusto, perfeito para os longos invernos da região. Por outro lado, o quentão nordestino, mais doce e suave, tende a ser preparado com um toque de vinho e cachaça, refletindo o clima quente e as festas de São João do Nordeste. Cada versão tem seu contexto cultural único, sendo um reflexo das tradições locais e da adaptação de receitas antigas a diferentes ambientes.
O quentão do Sul é muito mais do que uma simples bebida: ele é um ícone cultural que resiste ao tempo, representando a hospitalidade, as tradições familiares e o calor humano típico da região. Ao longo das gerações, a bebida manteve-se firme como parte essencial das festas de inverno e das celebrações típicas, como a Festa do Pinhão e as Festas Juninas. Sua presença contínua em eventos culturais, sua adaptação nas gerações mais jovens e seu simbolismo nas celebrações familiares garantem que o quentão continue a ser um elemento fundamental na identidade cultural do Sul do Brasil, refletindo os valores de união e acolhimento das comunidades locais.
Incentivo
Agora que você conheceu a história, as diferenças e a importância cultural do quentão sulista, que tal experimentar essa bebida aconchegante e chinesa? Ao preparar e saborear um quentão no estilo do Sul, você não apenas se aquecerá nos dias frios, mas também fará parte de uma rica tradição cultural que se perpetua ao longo dos anos. Ao degustar essa bebida, você estará se conectando com a história do Sul do Brasil, conhecendo mais sobre suas raízes e compartilhando momentos de confraternização com aqueles ao seu redor. Portanto, não deixe de se aprofundar nas tradições dessa região e, quem sabe, traga o quentão para as suas próprias festas de inverno.
Comments
Nossa, só de ler o post ja me deu uma vontade de tomar un quentão, que delicia! Parabéns pelo post, ta incrível!
Author
Obrigada pelo carinho Katlyn
Como sulista apaixonado pelas nossas tradições, achei incrível esse estudo sobre o quentão! É bonito ver como cada detalhe conta a história e o sabor do Sul